• Sandrinha Lesbaupin

Testes Vocacionais - o que esperar deles?


Há inúmeros testes vocacionais gratuitos na Internet. Você já deve ter feito alguns. O estilo do teste, o tipo de pergunta, o tempo para realização e, principalmente, os resultados, são muito distintos - mesmo quando feitos pela mesma pessoa. O que, então, esperar deles?

A resposta para essa pergunta depende do que você está buscando com o teste. Se você procura uma forma rápida, fácil e precisa de identificar a profissão dos seus sonhos, esqueça! Não há teste capaz de resolver isso por você. Mas, se você busca dicas e sugestões acerca de quem você é, os testes que encontramos por aí podem ter um pouquinho a contribuir.

Essa contribuição começa pelo tipo de pergunta do teste. Atente a elas, antes de respondê-las correndo, ansiando pelo resultado. Alguns instrumentos pedem que você escolha entre duas ou mais opções distintas: praia, montanha ou campo; romance, comédia ou aventura, etc. Outros apresentam uma escala entre duas características opostas (observador e comunicador; introvertido e extrovertido) e pedem que você se coloque nessa escala - mais para lá ou mais para cá. Há também instrumentos diretos, que sugerem um posicionamento em relação às suas preferências profissionais: trabalhar com pessoas, animais, máquinas ou pesquisa; ambiente sério e formal ou ambiente informal, etc. E há, ainda, aqueles testes que investigam as suas características de personalidade, buscando os adjetivos que te definem. (Este último é o caso do Teste de Perfil de Personalidade Transformação - a ser disponibilizado em breve).

Quando digo que o tipo de pergunta do teste pode, antes mesmo do resultado (e, muitas vezes, mais do que o resultado!) te dar dicas de qual profissão seguir, quero dizer que elas contém em si aspectos importantes na identificação do seu perfil comportamental. E é a identificação que quem você é somada ao que você deseja para si que vão te levar a uma boa escolha.

Assim, ao responder aos testes vocacionais da internet, tenha o cuidado de usar as perguntas como um recurso para você identificar: 1.Suas características pessoais (por exemplo: sou comunicativo, faço questão de trabalhar num ambiente agitado, preciso de liberdade de ação, etc) e 2. Aspectos importantes para a definição profissional (o tipo de trabalho, o ambiente de trabalho, a rotina do trabalho, os objetos do trabalho, etc). Se possível, tome nota dessas informações e siga refletindo sobre elas - ao invés de simplesmente dar enter e partir para a próxima questão do teste.

Outra contribuição possível dos testes vocacionais gratuitos da internet está nos resultados. Mas, atenção, não na lista de profissões indicadas para o seu perfil, mas na descrição do perfil (quando há essa descrição, evidentemente). Foque sua atenção e interesse nela e veja se ela faz sentido para você, se ela diz respeito à pessoa que você é e às características que você tem. “Você é uma pessoas calma, que se concentra nas atividades que realiza e executa suas atividades com foco e precisão”, diz o resultado. “Sou mesmo?”, pergunte-se. Se não for, como você é?

E só então, depois de encontrar uma descrição de perfil que realmente seja coerente com o que você conhece de si mesmo, procure profissões que tenham a ver com esse perfil.

Gosto muito do esquema gráfico elaborado pelo meu tio Henri Lesbaupin sobre algumas das possibilidades de atuação do Arquiteto. Ele pode ajudar a finalizar a reflexão que proponho com este artigo.

A imagem deixa claro que há arquitetos focados em áreas muito distintas, a depender de seu ramo de atuação. Abaixo, cito alguns exemplos:

  • Construção (edificações, implantações)

  • Flora (paisagismo, macro paisagismo)

  • Vida e sociedade (políticas urbanas, planejamento urbano, preservação do patrimônio)

  • Estética (adereços, jóias, figurino, cenarização)

  • Comunicação (foto, cinema, vídeo, imagem, gráfica)

Todos esses profissionais são formados em Arquitetura. Todos, porém, têm as mesmas características de personalidade e as mesmas habilidades? Quem cursou arquitetura e optou por trabalhar com Planejamento Urbano é mais “arquiteto” do que trabalha com Design de Interiores? Quem cursou arquitetura e atua em Cenarização fez uma opção “errada” quando escolheu esse curso? É possível que alguém se forme em arquitetura, não goste de desenhar e, mesmo assim, seja feliz na profissão?

As perguntas são muitas; mas as respostas convergem na mesma direção. Há incontáveis possibilidades de atuação em cada uma e em todas as carreiras. O esquema gráfico que usei como exemplo expande o universo da arquitetura, mas algo semelhante pode ser encontrado em qualquer outra área.

Ou seja, um teste vocacional pode apenas mostrar qual é o seu perfil de personalidade (e portanto em qual tipo de trabalho você teria mais afinidade e com o qual seria mais satisfeito), mas nunca precisar as carreiras que você deve seguir. Isso depende só e exclusivamente dos seus interesses pessoais.

Se você gosta de física, você pode tanto ser professor quanto pesquisador. As características exigidas para um bom pesquisador são diferentes das de um bom professor. Quais são as suas? Caso você tenha o perfil para ser professor, opte entre os cursos de física, matemática, biologia, geografia, ciências sociais e tantos outros - usando como critério para isso seus interesses pessoais.

Desconfie de teste vocacionais que sugerem exclusivamente profissões, como se houvesse um único perfil indicado para cada uma delas.


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