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O preço invisível do trabalho sem sentido

Vivemos em uma sociedade que romantiza o sucesso profissional. Desde cedo, somos ensinados a buscar status, reconhecimento e prestígio. Mas a que custo? O que não aparece nas fotos de LinkedIn e nos anúncios de “vagas dos sonhos” tem um preço invisível - pago em saúde física e mental por muitos de nós.


Não é à toa que os índices de burnout, ansiedade e depressão crescem de forma assustadora. Estamos formando gerações que dominam a tecnologia, mas não são capazes de identificar o que é essencial para si mesmas. No ensino médio, jovens de 16 ou 17 anos precisam escolher a carreira que vai nortear décadas de suas vidas - muitas vezes com base em impressões superficiais, expectativas da família ou “tendências” de mercado. E com muito pouco conhecimento sobre si mesmos. O resultado é frustração, desistências em massa e escolhas que viram armadilhas.


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Ter reconhecimento ou altos salários não é garantia de felicidade. É possível acumular prestígio e, ao mesmo tempo, viver esgotado, infeliz e com a sensação de estar preso em uma vida que não tem sentido. O trabalho sem coerência com quem realmente somos não adoece apenas a mente. Ele se manifesta em insônia, dores no corpo, crises de ansiedade e pânico, apenas citando alguns exemplos. O corpo grita o que a mente tenta silenciar.


Mas existe outro caminho. A chave está no autoconhecimento. Antes de perguntar “qual profissão dá mais dinheiro?” ou “qual área está em alta?”, deveríamos perguntar “o que é essencial para mim?”. O que me faz sentir vivo? Em que tipo de ambiente eu me sinto melhor e portanto sou mais produtivo? Que tipo de rotina é compatível com quem eu quero ser? Escolher uma carreira não é apenas decidir uma ocupação. É decidir uma forma de viver.


Além disso, é preciso atentar para o modelo que insiste em apontar nossas fraquezas como foco de desenvolvimento. Na escola, a atenção vai para a necessidade de melhorar a nota baixa em matemática (e não para o 10 em História); no trabalho, o gestor insiste que é preciso aprimorar sua comunicação oral, e passa batido no fato de que você entrega tudo no prazo e com extrema qualidade. 


Passamos a vida tentando corrigir defeitos, quando poderíamos estar cultivando nossas forças e potências. Quem trabalha a partir de seus talentos genuínos têm resultados melhores pois ousa mais, se diverte mais, se desenvolve mais. Esse círculo virtuoso é simples, mas exige força e coragem para romper com padrões e buscar uma trajetória mais autêntica.


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Há ainda o fator futuro. Muito se fala sobre as profissões que vão desaparecer com a inteligência artificial. É fato que mudanças virão. Muitas, inclusive, já vieram. Mas o pânico não resolve. O que pode nos preparar para os novos cenários é a capacidade de adaptação: tendo clareza de quem somos e de quais são as nossas potências, podemos usá-las em qualquer que seja o panorama global. E, claro, não deixe de lado as competências humanas que as máquinas (ainda!) não substituem, como por exemplo criatividade, empatia, comunicação, visão crítica.


O trabalho ocupa boa parte dos nossos dias e molda a vida que vamos levar. Por isso, não pode ser tratado meramente como fonte de renda e nem como um “mal necessário”. Ele pode e deve ser um espaço de sentido, crescimento, equilíbrio e felicidade. Quando ignoramos essa dimensão, colocamos em risco não apenas a nossa carreira, mas nossa vida inteira.


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Está na hora de encarar a pergunta que tanto evitamos: qual é o verdadeiro custo de continuar em um trabalho que não faz sentido para você?



 
 
 

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