• Sandrinha Lesbaupin

O Profissional do Futuro


O mundo está vivendo uma ruptura tecnológica gigantesca. Muitos de nós não nos demos conta, ainda, do tamanho dessa ruptura. Uma pesquisa recente da Universidade de Oxford prevê que 47% dos empregos tenham desaparecido em 20 anos. Isso é praticamente metade dos empregos. Não são apenas os motoristas e contadores que ficarão sem função, mas também professores, médicos, advogados… Temos cada vez mais a possibilidade de resoluções online - ou seja, cada vez mais interação com a máquina e menos com o profissional. Até o Vaticano prepara um aplicativo para confissões. Como será se confessar para um padre robô?

Na história moderna, a mão de obra que era acolhida no campo, pela agricultura foi absorvida pelas linhas de montagem na indústria após nossa primeira revolução tecnológica. Com a industrialização dessas produções, essa mesma mão de obra migrou, então, para a prestação de pequenos serviços. E agora? Para onde vamos?

A máxima de que “pessoas são melhores que robôs e portanto são insubstituíveis” vale para funções de alta qualificação. Um motorista de 45 anos que perca o emprego para o veículo autônomo faz exatamente o quê depois? A caixa de supermercado que é substituída por um caixa automático se reinventa como?

Essas previsões geram preocupações de tamanho global. Não é aqui no Brasil ou ali na Europa que o problema vai se instalar. É no planeta. O que fazer com os milhares de operários têxteis em Bangladesh que ficarão desempregados? Será que estamos caminhando para um aumento alarmante da desigualdade social? Seguindo esse raciocínio, as perspectivas de futuro sugerem que teremos, em termos mundiais, uma enorme classe de trabalhadores ociosos. E daí decorre o aumento de casos de stress, depressão, obesidade e talvez até suicídio na população.

Afinal, como se preparar para o futuro?

O último Fórum Econômico Mundial apontou que 65% dos alunos do Ensino básico vão trabalhar em empregos que não existem.

O que temos visto é um avanço tecnológico rápido e de qualidade em relação às habilidades técnicas. As habilidades comportamentais, porém, não são (ainda) foco da automatização. Robôs podem substituir humanos em relação às habilidades técnicas, mas não às comportamentais.

O World Economic Forum de 2018 apontou as 10 habilidades do profissional do futuro e, veja, nenhuma é técnica:

  1. Resolução de problemas complexos

  2. Pensamento crítico

  3. Criatividade

  4. Liderança e gestão de pessoas

  5. Trabalho em equipe

  6. Inteligência emocional

  7. Julgamento e tomada de decisões

  8. Orientação e serviços

  9. Negociação

  10. Flexibilidade cognitiva

Como desenvolver habilidades comportamentais?

Desenvolva a sua capacidade de sentir. Passamos anos sendo ensinados a o que pensar. Para o profissional do futuro, esse conhecimento de nada serve. Não faz sentido ter dados na cabeça se os mesmos estão disponíveis no Google em instantes e com muito mais precisão. Portanto, embora não possamos prever o futuro, podemos nos preparar para ele desenvolvendo nossa consciência ou, em outras palavras, nossa capacidade de sentir.

Previsões dizem que em 2045 um único computador será mais inteligente do que toda a humanidade junta. Ou seja, não adianta querer competir com eles, treinando e desenvolvendo sua inteligência, certo? Para estar no mercado de trabalho do futuro, é preciso ser capaz de aprender, desaprender e reaprender constantemente. É preciso que você tenha consciência, ou seja, que seja capaz de olhar para dentro de si mesmo e de lidar com as suas próprias emoções. Isso inclui autoconhecimento (identificar seus sentimentos, suas emoções, suas necessidades) e ser capaz de se conectar com os sentimentos e emoções das outras pessoas. Um psicólogo pode te ajudar nisso.

A felicidade não está em TER, mas em SER. Faça terapia.

Texto inspirado na apresentação de Michelle Schneider, Ted Talk de 05/07/2018.


8 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo