• Sandrinha Lesbaupin

A Indicação de Profissões num Teste Vocacional


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Percebi a importância de escrever esse artigo enquanto desenvolvia o Teste de Perfil de Personalidade da TransformAção. Não, eu não acredito em teste vocacionais. Já escrevi sobre isso antes. Mas a constante solicitação de clientes, educadores, alunos e pais acabou me estimulando a desenvolver algo que aplacasse suas ansiedades. Foi por isso que criei o nosso teste exclusivo (clique aqui para conhecê-lo).

Comecei por chamá-lo de Teste de Perfil de Personalidade TransformAção, jamais mencionei um teste vocacional. Além disso, fiz questão de incluir nos resultados, antes de sugerir qualquer profissão, orientações para a interpretação do teste: o fato de as características apresentadas serem mais importantes que o restante, a relevância da identificação do perfil de personalidade nessa escolha e então a sugestão por algumas profissões que podem trazer satisfação para alguém com o seu perfil.

Por fim, ainda nas recomendações pré-resultado, destaco o fato de ser natural aparecerem, dentre as indicadas, profissões de diferentes áreas. Escrevo: “É sinal de que em todas as áreas citadas uma pessoa com o seu perfil poderia se sentir profissionalmente feliz e realizada. Escolha a(s) que estiver(em) de acordo com os seus interesses pessoais”. Só então, listo entre cinco e dez cursos universitários nos quais uma pessoas com aquele perfil poderia ter satisfação.

Mesmo assim, que a expectativa por um teste vocacional que resolva todas as dúvidas e responda de pronto qual é o melhor caminho a seguir, persiste! Caros amigos, alunos, professores, pacientes, pais, educadores: isso não existe! E vou tentar esclarecer o porquê neste artigo.

Todas as profissões (felizmente) permitem uma enormidade de áreas de atuação. O perfil de personalidade exigido em cada uma dessas áreas é muito distinto. Não é possível (nem honesto de minha parte, como orientadora profissional) restringir as inúmeras possibilidades de cada formação em algumas áreas específicas e pré-concebidas.

Por exemplo: alguém formado em medicina pode atuar no consultório, num hospital, pode ser professor, pode adentrar-se em pesquisa e em milhares de outras áreas. Pergunto: o perfil de um médico pesquisador é o mesmo do de um médico de pronto-socorro? Mas ambos fizeram medicina, certo? Será que o perfil de personalidade desse suposto médico pesquisador não se assemelha muito mais com o do profissional que trabalha ao seu lado, pesquisando sobre doenças e desenvolvendo medicamentos, mas que é formado em química (ou em farmácia, ou em engenharia)? Ambos são concentrados, curiosos, analíticos, detalhistas, calmos. Do mesmo modo, o perfil de personalidade do médico socorrista se assemelha mais ao da recepcionista do pronto-socorro (pensam e agem rápido, têm prontidão, gostam de agitação e ambientes estimulantes) do que ao de seus colegas de graduação que optaram por trabalhar num consultório, atendendo pacientes com hora marcada por trás de uma mesa.

O que comumentemente se espera do Teste Vocacional - a indicação de uma ou mais carreiras nas quais o indivíduo será feliz e realizado - não existe. Não existe porque não há uma carreira na qual ele necessariamente encontre essa realização. A satisfação profissional virá se o contexto de trabalho for coerente com o perfil dessa pessoa - e não o curso em si.

O que chamo de contexto de trabalho é a mistura de cinco aspectos da atividade profissional:

  1. Seus objetos/conteúdos (alimentos, seres humanos, documentação, animais, administração, fatos/acontecimentos, arte, meio ambiente, crianças, …)

  2. As atividades desenvolvidas (vender, empreender, consertar, criar, negociar, convencer, etc)

  3. Seu ambiente (externo, tranquilo, industrial, empresa pública, ambiente pequeno, informal, na zona rural, etc)

  4. Sua rotina (horário regular ou flexível, trabalhar à distância, trabalhar intensamente, deslocar-se constantemente, …)

  5. Os retornos do trabalho (competição, inclusão social, poder, honestidade, estabilidade financeira, aventura, etc)

O que é preciso buscar num teste vocacional, portanto, é o seu perfil de personalidade e então, a partir dele, identificar qual o melhor contexto de trabalho para você. Como já disse, alguém detalhista, observador e calmo teria suas habilidades subaproveitadas (e seria infeliz) se trabalhasse num Pronto-Socorro ou numa obra de construção civil. Porém, essa mesma pessoa estaria dando o máximo de suas habilidades num escritório de contabilidade, em desenhos de moda, em programação web ou em projetos arquitetônicos - por mais diversas que essas áreas possam parecer!

Ficou claro porque eu, nem nenhum profissional dessa área, nem nenhum teste vocacional, podemos dizer qual é a carreira certa para você? Ficou claro, também, porque é possível indicar carreiras de áreas totalmente distintas? O importante não é o curso de graduação em si, mas o que você vai fazer com ele, depois dele.

Temos por hábito refletir sobre escolha profissional pensando nas opções de cursos que são oferecidas quando, na verdade, deveríamos refletir sobre o contexto de trabalho que desejamos/ que condiz com o nosso perfil de personalidade. Identificado tudo isso, escolha o curso de acordo com os seus interesses de estudo.


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