• Sandrinha Lesbaupin

A Evasão no Ensino Superior


Já mencionei a importância da Orientação Profissional na redução da evasão do aluno do Ensino Superior em outros posts. Não é preciso análise profunda para concluir que, quanto mais bem feita uma escolha, maiores as chances de sucesso. Em contrapartida, quanto mais impulsiva, inconsciente ou baseada em critérios “superficiais”, maiores as chances de fracasso dessa escolha. E, no caso da escolha de uma carreira, de uma profissão ou de um curso superior, o fracasso implica no abandono do curso.

Matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo em 20/02/18 trouxe números para essa reflexão. Segundo o jornal, a evasão escolar é um dos principais problemas do sistema educacional brasileiro e afeta de modo preocupante o ensino superior. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação, com base no último Censo Escolar, mostra que a taxa de abandono no Ensino Superior acumulada em cinco anos para os que entraram numa faculdade em 2010 foi de 49%. Nas universidades privadas, onde o ensino é pago, a desistência foi de 53%. E nas universidades públicas, gratuitas, mas com um processo de entrada bastante seletivo, a taxa de desistência foi de 47% nas municipais, 38% nas estaduais e 43% nas federais. No Ensino Médio, as taxas de evasão no mesmo período giram em torno de 8%, entre instituições públicas e privadas.

Ainda segundo essa fonte, no caso específico das universidades federais, apenas 22% dos alunos que se matricularam no primeiro ano, em 2010, conseguiram formar-se em 2014 – uma taxa considerada muito baixa pelos especialistas. Os demais alunos nem abandonaram os estudos nem concluíram o curso cinco anos após terem sido aprovados no vestibular. Na prática isso significa que, por motivos que vão do despreparo para acompanhar as aulas à falta de identificação com o curso e desinformação na opção por uma carreira profissional, os alunos das universidades públicas estão levando mais tempo para se formar do que as autoridades educacionais esperavam.

Os cursos com maior evasão foram os de matemática, computação e jornalismo, nas universidades privadas; e de matemática e computação, nas universidades públicas.

Ainda segundo O Estado, as pesquisas do economista especializado em formação de capital humano e professor da USP e do Insper, Naércio Menezes Filho, revelam um ponto preocupante: o impacto financeiro social causado pelos altos índices de evasão nas instituições de ensino superior. Nas universidades públicas, como os custos são fixos, o aumento das desistências faz com que o custo por aluno efetivamente formado seja maior do que por aluno inicialmente matriculado. Ou seja, a evasão significa desperdício de recursos públicos já escassos. No caso das universidades privadas, o aumento da evasão as obriga a aumentar o valor das mensalidades, diz ele.

Autoridades educacionais e especialistas do setor têm discutido medidas para controlar e reverter as taxas de evasão. Porém, a despeito de qualquer discussão, fica evidente que para cerca de 50% dos universitários (e isso inclui uma parte daqueles que “têm certeza” do que querem), a definição por uma carreira é ainda algo obscuro e incerto.

Reforço, mais uma vez, que a Orientação Profissional é válida para a grande maioria dos jovens - inclusive para aqueles que, em tese, sabem o que querem cursar. Assim, evitamos desperdício de tempo, de recursos e de oportunidades - públicas e privadas.


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