• Sandrinha Lesbaupin

Novos Paradigmas em Orientação Profissional


Participei, há cerca de 3 meses, do XIII Congresso de Orientação Profissional, promovido pela ABOP, associação que congrega profissionais e práticas de orientação profissional no Brasil - da qual sou membro. Muito bem organizado, o Congresso reuniu diversos profissionais brasileiros e estrangeiros, em centenas de atividades diferentes. Quem já participou de congressos, qualquer que tenha sido ele, sabe quão enriquecedoras essas experiências podem ser. São injeções de ânimo e fontes de novas ideias aos participantes.

Cheguei à Campinas (cidade sede do evento) com uma indagação fervilhando: qual será o futuro da Orientação Profissional? Como as mudanças nas formas de comunicação interferem e alteram o processo que nós, profissionais da área, conduzimos com nossos clientes? O imediatismo, o ritmo acelerado e as exigências “para ontem” do mundo moderno tem alguma repercussão no processo de escolha de uma carreira?

Mas, eis que saí do Congresso sem nenhuma resposta nessa direção. Há muita fundamentação teórica (trabalhos riquíssimos, por sinal), mas praticamente nenhuma visão de futuro.

Os orientadores de carreira são, em sua maioria, das áreas de psicologia, educação e afins. Parece-me que, como classe, tendemos a insistir nas mesmas estratégias, a despeito de o mundo nos apresentar uma realidade diferente; e exigir de nós respostas diferentes. Muitas palestras e mesas redondas com temas relacionados às novas perspectivas da OP, mas na prática a única coisa que se discutiu foi a história e a inserção dessa prática no Brasil. O foco está no passado, não no futuro. Muita queixa e muita lamentação em relação ao que falta no país em termos de políticas públicas, e praticamente nenhuma proposta real e concreta nesse sentido…

Veja bem, o congresso foi interessante e enriquecedor (tive muitos insights e novas ideias), mas saí de lá com a sensação de pouco ter refletido sobre minha prática nesse novo contexto de mundo, no qual as relações pessoais, as concepções de tempo e urgência e portanto as escolhas estão tão mudadas. Do ponto de vista do olhar adiante, antecipar o futuro e fazer uso dele a nosso favor, o debate promovido pela ABOP foi extremamente superficial.

Afinal, qual será o futuro da Orientação Profissional?

Na minha opinião, o universo brasileiro de Orientação Profissional precisa de mais ações voltadas para grupos de jovens, por meio das quais se consiga atingir um número maior de pessoas. Boa parte dos estudantes é capaz de, de forma autônoma, refletir sobre si mesmo (autoconhecimento) e de pesquisar sobre profissões e mercado de trabalho e então fazer uma escolha madura e consciente. Outra parte dos jovens, chega lá com pequenos incentivos e acompanhamento - que pode ser realizado pela família ou pela escola. Um último grupo, menor, tem dificuldade com a tomada de decisão e merece um atendimento profundo e individualizado, feito por um profissional específico. Esse aprofundamento, porém, não é necessário para todos os jovens - e quando o é, é em diferentes níveis. A maioria dos estudantes se beneficiaria de trabalhos de orientação profissional mais amplos.

Associo essa percepção ao mundo moderno, no qual o acesso às informações é extremamente facilitado. Por exemplo por meio de aplicativos e plataformas digitais. Basta direcionar os jovens, o restante do caminho a maioria deles vai percorrer sozinho, penso eu.

Pois bem, minha satisfação se deu no último dia do Congresso, quando conheci, por acaso, o KUAU. Essa plataforma digital reúne informações sobre profissões e um termômetro pessoal, por meio do qual os participantes avaliam, comparam e fazem escolhas. A ferramenta, de fácil manuseio e grande interação, faz uso de vídeos e cores, uma linguagem extremamente jovem e moderna. Simples e inteligente. E o melhor, inteiramente grátis!

Registro aqui meus elogios a Erica Canal e Gilber Machado, criadores da ferramenta. Únicos em todo o Congresso, na minha opinião, capazes de elaborar uma estratégia para grandes grupos, sem a necessidade de intervenção profissional individualizada.

O KUAU é explorado pelo jovem e monitorado por um responsável - que pode ser o coordenador de uma escola ou um psicólogo. A plataforma só é acessível por intermédio desse responsável, o que garante supervisão e acompanhamento. Ao mesmo tempo, estimula a autonomia do jovem na busca de informações e na tomada de decisão. Genial! Precursor de muitas outras ferramentas nesse sentido, tenho certeza.

A TransformAção é parceira do KUAU e pode disponibilizar seu acesso a essa plataforma. Fale conosco.


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