• Tatiana Pimenta

3 Hábitos pessoais que ajudam a alavancar meu lado profissional


Outro dia tive um sonho. Nele corria em lugar bonito e tinha a satisfação de saber que tinha publicado um livro. Não entendi muito bem o sonho, mas fiz o que adquiri como hábito nos últimos meses: peguei meu caderno de sonhos, sempre à mão ao lado da cama, e anotei o que lembrava.

Pensando nisso, resolvi compartilhar alguns hábitos que adquiri nos últimos anos. Eles tornaram-se fundamentais em minha vida e tem grande interferência na rotina de trabalho, na disciplina e principalmente na inspiração.

Caderno de sonhos

Tudo o que sonhamos, em geral, é esquecido em poucos segundos. Isso mesmo, segundos após acordarmos. Os sonhos fazem parte do nosso lado inconsciente e em geral são esquecidos pelo consciente assim que levantamos da cama. Há alguns meses adquiri o hábito de ter um moleskine ou um bloco de notas ao lado da cama para anotar os sonhos que tive assim que abro os olhos. Confesso que muitas vezes quando abro os olhos, já esqueci o que havia sonhado.

No começo achava essa atividade muito boba. Pensava: “Para que estou fazendo isso?”. Anotar os sonhos foi sugestão de um do psicólogo Paulo Vaz, especialista em Psicologia Analítica ou Junguiana. Jung dedicou tempo a estudar os sonhos e gerou muita ciência a respeito desse tema que, em outro momento, posso compartilhar com um pouco mais de informação técnica. Vou me ater ao hábito e como ele tem funcionado para mim.

A prática de anotar os sonhos tornou-se mais freqüente e, com isso, ganhei consciência de que tenho sonhado mais. Muitas vezes, fico em dúvida se já tinha essa quantidade enorme de sonhos ao longo da vida, ou se desenvolvi alguma técnica para fazê-los brotar na minha mente.

O hábito de anotar os sonhos teve interferência direta na minha produtividade, criatividade e inspiração. A sensação é que meu cérebro anda trabalhando a meu favor enquanto durmo. Anotar o sonho, faz com que eu não me esqueça do insight ou reflita sobre a maluquice posteriormente. Ah, e se você tem um psicólogo com quem discutir as “viagens” que você anda sonhando ao longo da semana, é ainda melhor. Um psicólogo pode ajudá-lo a explorar alguns caminhos e compreender pontos que às vezes parecem não fazer sentido algum.

O aprendi com os sonhos malucos? Eles voltam em outros momentos e, às vezes, com mais riquezas de detalhes e vão se tornando mais claros. Aí, de repente, vem um insight. Uma interpreta

ção, quase que um call to action, que te guia para alguma atitude na vida. Minha intuição melhorou absurdamente com essa prática, acreditem vocês ou não.

Sessões de terapia

Esse é um hábito que acabou virando meu job. Faço terapia desde 2012, tive algumas pausas, troquei de psicólogo e experimentei mais de uma abordagem terapêutica ao longo desses anos. Esse processo começou por causa de um problema em particular. Era a primeira vez que procurava um terapeuta. Precisava lidar com uma perda que não estava sendo muito fácil de digerir ou, como falamos em psicologia, de elaborar. O problema pontual foi resolvido lá pela oitava sessão (dois meses depois do início). Mas, eu gostava tanto daquela hora que eu dedicava exclusivamente para mim que nunca quis parar.

Naquela época, eu era gerente regional na Arauco, responsável pela área comercial em 8 estados mais DF. Praticamente morava dentro do avião. Também estava fazendo um MBA no Insper e começando a repensar minhas motivações para o trabalho. A terapia teve um papel incrível nessa fase. Meu psicólogo tinha sido executivo, tinha atuado em grandes corporações, morado no Japão e na Europa. O acesso dele a outras culturas possibilitava uma troca muito rica comigo. Minha psicóloga atual é praticante de abordagem psicanalítica. Trabalhamos de forma mais profunda para descobrir fontes de alguns comportamentos.

Eu vejo as sessões de terapia como um dos melhores investimentos que posso fazer para minha saúde, meu autoconhecimento e meu equilíbrio emocional. É aquela hora da semana que é somente minha. Que alguém se dedica a me ouvir com atenção e a explorar, pela minha linguagem corporal, o que não foi dito. Momento de questionamento, de “tapas na cara” e de confronto com as minhas afirmações. Já fui desmascarada contando uma “mentira” que eu mesma afirmava para mim como sendo verdade. “ - Ah, eu sou a única pessoa que não tem tal coisa…..” Lembro da Cláudia (minha terapeuta) me interromper na hora: “- Opa opa opa, você prestou atenção no que você acabou de dizer? Que você não tem tal coisa? Mas você tem. Porque afirma o contrário?” A sessão parou ali e fui para casa refletir sobre minhas crenças.

Nossas crenças podem ser limitantes ou fortalecedoras. Trabalhar com elas é fundamental para não deixarmos que as limitadoras nos impeçam de crescer e alcançar nossos objetivos.

As sessões de terapia hoje me ajudam no autoconhecimento, a refletir sobre as atitudes e sobre passos futuros. Estar com uma pessoa neutra, munida de ciência e conhecimento, agrega muito valor. Convido você a fazer uma autoanálise: o cara que você vê no espelho todos os dias, te ajuda ou te ferra?

A corrida

Também um hábito adquirido em 2012 e que veio por recomendação do meu primeiro psicólogo. Como viajava muito na época, não mantinha hábitos alimentares saudáveis e era sedentária. Isso comprometia, e muito, meu nível de stress, saúde e meu humor.

Apesar do aconselhamento constante para começar alguma atividade física, eu sempre dava a desculpa da agenda lotada e das viagens. Até que um dia ele falou: “- Compre um tênis e coloque na mala. Você consegue correr ou caminhar em qualquer lugar”.

Tenho duas características marcantes: foco e competitividade. Depois de muito pensar nas recomendações, resolvi encarar a ideia. Para que ela desse certo, eu precisava ter uma meta. Escolhi uma: correr a São Silvestre.. Lembro que o empurrão veio ao ler uma capa da revista runner com um desafio aos sedentários. Era algo como “16 semanas para emagrecer e mudar de vida”. E faltavam exatamente 16 semanas para a Corrida de São Silvestre de 2012. Comprei a revista no aeroporto, fui lendo durante o voo e naquele dia decidi começar a correr.

O que eu não esperava era me apaixonar pelo esporte. Em pouco mais de 4 anos já corri 4 maratonas, 9 meia-maratonas e uma infinidade de provas menores.

A corrida contribuiu e ainda soma muito ao meu lado profissional. A produção de endorfina me mantém sempre de bom humor e alto astral incríveis. Além disso, a disciplina e determinação são maiores, isso é inquestionável.

A maioria dos atletas é extremamente disciplinada e dotada de uma força de vontade acima da média. O esporte nos ajuda a suportar dor física, imagine o que um atleta de alto rendimento não é capaz de fazer no seu trabalho. Treino com uma assessoria que tem mais de 1400 alunos. Boa parte dos meus amigos hoje são também maratonistas e todos que conheço são bem-sucedidos em sua profissão. Tentei pensar em alguém que não era, mas não lembrei de nenhum nome.

Outra coisa que a corrida ensina é a desdobrar metas. Traçar metas menores para alcançar objetivos maiores. Para correr minha primeira maratona foram necessários 2 anos de treinamento. Resiliência, hardwork e persistência. Na corrida, minha competição é comigo. Quero baixar meu tempo da última prova, ser melhor do que fui ontem, estou sempre buscando a melhor versão de mim.

Recomendo correr em locais abertos e observar o visual. Você pode se deparar com o cenário da foto abaixo, tirada durante um treino. Isso contribui para aumentar a inspiração.

As frases que uso no esporte também influenciam minha vida pessoal e profissional. Gosto particularmente de uma do Muhammad Ali: “O impossível é temporário”.


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