• Sandra Lesbaupin

A Cara das Profissões


Não há nenhum adolescente que queria ser engenheiro em geral ou lanterninha de cinema em geral (...). Isto quer dizer que o ‘queria ser engenheiro’ nunca é somente ‘queria ser engenheiro’, mas ‘quero ser como suponho que seja fulano de tal, que é engenheiro e tem tais ‘poderes’ que quisera fossem meus”. (Bohoslavsky, R. Orientação Vocacional – A Estratégia Clínica. São Paulo, Editora Martins Fontes, 1977, pág. 53)

Quando uma pessoa pensa sobre seu futuro, ela nunca o faz de forma despersonificada. Ao escolher a atividade que vai desenvolver, qualquer pessoa mobiliza imagens que adquiriu durante sua vida. Assim, ao pensar em profissões específicas, o indivíduo está expressando que quero ser como tal pessoa, real ou imaginada, que tem tais e tais possibilidades ou atributos que me agradam e que, supostamente, os possui em função da ocupação que exerce.

Ao pensar numa profissão, mobilizamos imagens que foram construídas a partir de nossas vivências: contatos pessoais, exposição à mídia, leituras, ouvir dizer, etc. Assim, quando uma pessoa diz que quer ser tal profissional, não está pensando em algo genérico e abstrato, mas num modelo por ela construído que dá forma a esta pretensão. Estas imagens que construímos (e todos nós temos alguma imagem de todas as profissões) geram uma identificação ou um afastamento das carreiras.

A imagem que trazemos das profissões é o ponto de partida da escolha profissional. Por isso, é importante reconhecer qual é a sua imagem pessoal das profissões pelas quais você tem interesse.

O profissional da área de ciências atuariais, por exemplo, é um profissional desconhecido da maioria das pessoas; quase ninguém ouviu falar algo a respeito dele. No entanto, as pessoas formam uma imagem (provavelmente em função da sonoridade do nome), que as afasta desta profissão. Como ponto de partida, a imagem leva a um desinteresse. E, de fato, poucas pessoas se dão ao trabalho de buscar mais informações sobre uma profissão que, logo de saída, não desperta interesse.

Ocorre o inverso com o profissional das áreas de Relações Internacionais ou Engenharia Florestal. Apesar do grande desconhecimento das atividades desenvolvidas por estes profissionais, das suas áreas de atuação e do mercado de trabalho, são profissões que chamam a atenção de muita gente pelo nome. A imagem formada faz com que, hoje em dia, muitas pessoas sintam-se interessadas em seguir estas carreiras.


Enfim, as pessoas constroem e lidam com a cara das profissões. Esta cara é resultado do contato, direto ou não, que a pessoa teve com a área profissional em questão. Esta cara não é verdadeira nem falsa, não é necessariamente nem mais próxima nem mais distante da realidade, não é correta ou incorreta, é simplesmente uma cara que deve ser trabalhada ao se escolher uma profissão. As pessoas se identificam ou não com a cara que formaram das diferentes profissões.

É importante destacar que, por ser formada a partir da vivência e das experiências individuais, a cara de cada profissão é diferente para cada pessoa. E não há caras mais corretas nem caras menos corretas. São pessoais e verdadeiras como tais.

Baseado em Bock, Silvio Duarte. “Orientação Profissional – A Abordagem Sócio-Histórica”.

Ed. Cortez, São Paulo, 2002, páginas 78 a 81.


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