• Sandra Lesbaupin

A Construção da Identidade na Adolescência e a Influência Familiar


Concordamos que a formação da identidade é um processo ininterrupto e contínuo, certo? Apesar disso, não podemos negar que, durante a adolescência, o ser humano experimenta e consuma grandes saltos no sentido da reorganização de sua identidade. Não se pode falar em adolescência e juventude sem falar na formação da identidade!

O processo de Construção da Identidade durante a adolescência é um período de reconhecimento de si mesmo para o jovem, para sua família e para toda a sociedade - que passam a ver o jovem (e ser vistas por ele) de outra forma.


As mudanças físicas decorrentes da puberdade provocam sentimentos de estranheza em relação ao próprio corpo. Essas mudanças, somadas à maturação do raciocínio (passagem do pensamento lógico concreto para o nível abstrato) fazem com que o jovem passe a perceber o mundo de forma diferente, e assim comece a se relacionar com ele de maneira diferente.

A adolescência pode ser compreendida como a despedida da identidade infantil para definição de uma nova, Para constituição desta nova identidade, é preciso retomar etapas anteriores do desenvolvimento. A comparação com outras pessoas que se encontram no mesmo período de desenvolvimento (irmãos, amigos, primos, vizinhos) contribui para a percepção e reconhecimento de si mesmo.

Na infância, a referência do eu e das possibilidades de ser é restrita (geralmente baseada no modelo familiar) e se mantém pouco alterada. A criança tem relativo equilíbrio interno entre sua mente, seu corpo e sua percepção do ambiente, o que cria condições para uma existência tranqüila e não assustadora. Na adolescência, por sua vez, o jovem passa a perceber o mundo e portanto a se relacionar com ele de forma diferente. Isso gera insegurança.

Nesse contexto, destaco a importância da atitude da família durante este processo. É no ambiente familiar que o menino e a menina testarão suas habilidades para expressar a nova identidade que eles estão estruturando, significando e ressignificando. O púbere transita entre os familiares mostrando a nova pessoa que se forma e buscando confirmação e a permissão do que percebe e sente em relação a seu próprio corpo.

Assim sendo, as atitudes dos pais diante deste jovem podem ser de aceitação, acolhimento e proteção ou repúdio, desaprovação, negação e invasão. A maneira como o pai e a mãe reagirão a esse momento será diferente e com significado também diferente para os filhos. A auto-imagem se firma ou se turva de acordo com as mensagens recebidos do outro.


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